Arquivo mensal: março 2011

Xícara de Açúcar pt. II

Parte I e III: Recortes de Poesia

Tem sino na porta do mercado. O som agudo soa pelo ar. Há som agudo dentro mim.

Coisas de comédia–romântica. Primeiro quando pedi a xícara de açúcar. Sinos na porta, na minha cabeça. Comédia–romântica.

Aprendi nos filmes. Não nos pornôs. Com eles aprendi outras coisas. Fiz direitinho. A vizinha gostosa e um pedido inocente. Um sorriso bobo, uma idéia sacana.

Ele se oferece pra pagar o açúcar. Acho fofo. Ele caiu.

De volta. Apartamento. Despedida. Hora de testar.

Ele parece desapontado. Mas está excitado. Dou uma desculpa. “Acho que deixei a xícara no seu apartamento”.

Cara de bobo me excita. Ele não é nada bobo.

Abre o pacote… Do açúcar. Enche a xícara. Me oferece o resto do pacote. Recuso.

Te devoro. Ali, na cozinha. Na sala. No quarto. Na varanda.

Ele dá uma ajeitada no dito-cujo. Tira casaco. Joga na mesa, senta na mesa. Cruza as pernas. Ajeitadinha na saia.

– No que está pensando? – pergunto.

– Ah… Aaa…çúcar?!

Mais uma vez. O dito-cujo.

– Sei de algo mais doce – abro o decote.

Te devoro. Me devora. Boca voraz. Fogo fugaz.

Reconheço, ele tem pegada. A gente se agarra. Vamos longe. Nossos corpos se chocam contra a bancada da cozinha.

O açúcar cai.

Na cozinha, na sala, no quarto, na varanda.

Foi rápido, mas direto. Forte e selvagem. Foi o que eu precisava e queria. A aventura estava concluída. A tarde da vida.

Limpo minha boca. Veste roupa. Mexo no cabelo. Refaz maquiagem.

Fecha decote. Antes de sair:

– Obrigada pelo açúcar.

Sai sem esperar resposta. Sem olhar pra trás.

No corredor. Mordo os lábios. Sorrio.

Banho.

Horas depois. Campainha.

Preguiça. Levanta. Campainha.  – Já vai!

Abre a porta.

Xícara. O cara.

– Você teria uma xícara de açúcar?

Thiago B.

O tolo, a garota e o filho de dionísio

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Eu não sei o  nome.

Você me recusa a dizer quem ela é. Como ela é. Um nome, comum como tantos outros, mas que deve ser no mínimo impronunciável.

Como amigo, me sinto ofendido. Quem é essa Garota? Você nem me fala dela, só quando eu requisito, o que é uma total apreciação da minha parte, levando em conta que você é super reservado.

De fato, é bem difícil desenvolver algum tipo de relação de você. As coisas aconteceram meio estranhas entre a gente. Ok, essa parte ficou meio gay. Pode rir.

O que eu quero dizer é que a gente não fala “Oi, tudo bem?” , você fala logo, fala nu e cru. E só com você é assim.

Eu até tento ser cordial, pra mim “oi” é educação. Mas com você eu falo pop e a gente se entende.

Eu te confio, mais do que deveria. Me desculpo dizendo que no fundo sou uma pessoa boa e confio fácil. Pra você, é claro, eu sou apenas tolo. É, talvez eu seja.

Te contei muita coisa, mas de um tempo pra cá eu percebi que você não sabe muito sobre mim. Você conhece meus fatos, não minha essência. Digo isso porque aos poucos, essa essência tem se mostrado mais intima. É por isso que mesmo sabendo pouco, eu te conheço e te confio.

Não sou um cego completo, por isso a misteriosa garota me deixava com uma pulga na orelha. Por que eu não posso saber o nome?

E é aí que eu digo que te conheço. Eu entendi o porquê.

Você quer mante-lá imaculada, pura, tanto que nem pronuncia seu nome para outras pessoas. Você não fala dela com outras pessoas porque nada se compara a falar com ela.

Ela é seu codinome beija-flor. Sua femme fatale.

E quer saber? Eu respeito sua decisão porque sou tolo, e tolo que somos. O que significa que sou aquele tipo de pessoa que seca sua holy teardrops que caem em forma de polígonos com minhas hands e repito “Não seja um homem cinza, não seja um homem cinza”

Eu sei que mesmo se eu colocar meu coração numa caixa, vou saber que vai doer quando ele sangrar. Obrigado por não me deixar fazer besteira.

Aprendi com você que não importa o nome da menina se ela te faz sorrir, faz chorar, senti.

Obs¹: A foto do post é ilustrativa, ou não.

Obs²: Essa é minha música favorita.

Obs³: Escrito pra um amigo.

Thiago B.

Ao vento, ao mar, ao tempo.

http://db.tt/geyHuHF

Obs¹: Eu sei que deve ser difícil pra você ler esse texto, mas nós sabemos como é bom colocar no papel. Quem sabe lá na frente a gente não ri disso? Espero que sim.

Obs²: O eu lírico dos meus textos sempre sou eu mesmo, mas nesse não. Só pra deixar claro.

Começou na praia. Eu que te vi, eu que corri atrás. Não é muito do meu feitio ter a iniciativa, não nessas coisas.

E mesmo a passos lentos, eu fui. E olha que me chamaram de frouxa pelo caminho! Não é tão simples assim, tudo bem, eu não esperava que pudessem ter a compreensão geral.

Com muitas pedras no caminho, eu cheguei. Fiquei feliz por isso, mas ao mesmo tempo eu pensava ” E agora? Como será daqui pra frente?”

Pra que a dúvida não me remoesse, eu decidir que seria Fire!! Só fogo mesmo, sem envolvimento a não ser o da pele.

Eu esqueci que quem mexe com fogo se queima. Talvez por nunca presta muita atenção em velhos ditados, eu tenha acreditado que não levaria uma cicatriz.

Então o qual grande foi minha surpresa quando você se revelou envolvida também? Pulei de alegria, mas no fundo eu tinha medo, seria bom demais para ser verdade?

Assim começamos a construir o nosso castelo de areia. Puxa, como foi difícil!! Você talvez tenha esquecido, mas eu lembro que toda vez você fraquejava, ou acabava derrubando alguma parte que já estava pronta, ou simplesmente estava cansada demais. Eu te levava pra sombra e te dava água fresca.

Aí veio a maré.

Boa parte do castelo foi destruída. Foram tempos de trevas, o meu medo secreto cresceu monumentalmente, ainda mais quando você se mostrou um pouco disposta demais pra recontruir o castelo.

Nossa morada agora estava meio distante do mar. Eu ficava na janela olhando noss antigo terreno. Sentia nostalgia. Sabia que as coisa não eram mais como antes.

Estavas tão distante quanto te queria por perto. Fiz então uma última tentativa, fechei os olhos decidida a não ver você destruir todo o castelo.

Foi o que você fez. Um pouco de distância. Tomar algum impulso.

E pular.

Eu não estava quando você se jogou no nosso castelo. Inventei mil desculpas pra mim mesma. Tinha sido a chuva, a maré, uma criança idiota, qualquer coisa menos você.

Mas eu sabia.

E eu te disse “o nosso castrelo está acabado”. Você sorriu.

“Não importa, a gente tem a praia inteira pra fazer outros”, foi o que você respondeu.

Até hoje eu não sei se você fez isso porque era divertido pra você, se foi ironia, se foi só maldade ou realmente passou na sua cabeça o arrependimento.

Arrumei minha trouxinha e fui disposta a não voltar. Me entregar ao vento, ao mar, ao tempo.

Só que você deu uma forma de estar por perto, e eu quase te odeio por ficar me persequindo pra machucar. Aí alguém me disse que eu não podia te odiar, porque a única relação mais fiel do que o amor é o ódio.

Então voltei atrás, ver como estavam as coisas.

Eu sei que existem zilhões de grãos de areia. Mas dói pra caramba ver sendo levado embora aquilo que um dia foi nossa morada, nosso castelo, nossa vida.

O coração se aperta muito vendo o mar tomar a representação do nosso meu amor.

A água tá lavando, tá levando, até o dia em que vou poder caminhar de novo pela praia sem te imaginar ao meu lado. Porque a visão de nós duas de costa, sorrisos, camisas largas e sem usar calças, me faz tremer, de nostalgia e de medo.

Eu tô deixando levar, tô olhando pra frente mesmo mantendo os pés parados.

É só que agora, eu olho para a praia e não vejo areias tão douradas quanto aquelas.

 

Thiago B.

Rotina

http://db.tt/AiAr5EF

Todo dia será mais feliz do que o outro. Todo dia terá mais amor do que o anterior. Todo dia vou sorrir ao acordar ao teu lado. Com o tempo, os defeitos serão esquecidos e as nossas qualidades serão capazes de construir felicidade.

Os olhos, reflexo da alma, brilharão, porque por dentro há de haver luz. Todo dia terá café-na-cama e todas essas coisas românticas. Todo dia nos reconquistaremos e terei o mesmo prazer que quando te conheci. Todo dia, respiraremos literatura. Um romance com todas suas intrigas, fracassos, acertos e final feliz. Todo dia será nosso mundo, nosso tempo, nossas vidas, até se tornarem uma e não haver diferença.

E mesmo sendo todo dia, não será rotina, pois não há como eu me cansar de você.

E quando nos disserem ” vocês não podem saber com certeza”, nós responderemos: “Podemos não saber,mas é a gente quem faz . Os sonhos não viram realidade, nós fazemos da nossa realidade um sonho”

E, todo dia, sonharemos.

Thiago B.