Ao vento, ao mar, ao tempo.

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Obs¹: Eu sei que deve ser difícil pra você ler esse texto, mas nós sabemos como é bom colocar no papel. Quem sabe lá na frente a gente não ri disso? Espero que sim.

Obs²: O eu lírico dos meus textos sempre sou eu mesmo, mas nesse não. Só pra deixar claro.

Começou na praia. Eu que te vi, eu que corri atrás. Não é muito do meu feitio ter a iniciativa, não nessas coisas.

E mesmo a passos lentos, eu fui. E olha que me chamaram de frouxa pelo caminho! Não é tão simples assim, tudo bem, eu não esperava que pudessem ter a compreensão geral.

Com muitas pedras no caminho, eu cheguei. Fiquei feliz por isso, mas ao mesmo tempo eu pensava ” E agora? Como será daqui pra frente?”

Pra que a dúvida não me remoesse, eu decidir que seria Fire!! Só fogo mesmo, sem envolvimento a não ser o da pele.

Eu esqueci que quem mexe com fogo se queima. Talvez por nunca presta muita atenção em velhos ditados, eu tenha acreditado que não levaria uma cicatriz.

Então o qual grande foi minha surpresa quando você se revelou envolvida também? Pulei de alegria, mas no fundo eu tinha medo, seria bom demais para ser verdade?

Assim começamos a construir o nosso castelo de areia. Puxa, como foi difícil!! Você talvez tenha esquecido, mas eu lembro que toda vez você fraquejava, ou acabava derrubando alguma parte que já estava pronta, ou simplesmente estava cansada demais. Eu te levava pra sombra e te dava água fresca.

Aí veio a maré.

Boa parte do castelo foi destruída. Foram tempos de trevas, o meu medo secreto cresceu monumentalmente, ainda mais quando você se mostrou um pouco disposta demais pra recontruir o castelo.

Nossa morada agora estava meio distante do mar. Eu ficava na janela olhando noss antigo terreno. Sentia nostalgia. Sabia que as coisa não eram mais como antes.

Estavas tão distante quanto te queria por perto. Fiz então uma última tentativa, fechei os olhos decidida a não ver você destruir todo o castelo.

Foi o que você fez. Um pouco de distância. Tomar algum impulso.

E pular.

Eu não estava quando você se jogou no nosso castelo. Inventei mil desculpas pra mim mesma. Tinha sido a chuva, a maré, uma criança idiota, qualquer coisa menos você.

Mas eu sabia.

E eu te disse “o nosso castrelo está acabado”. Você sorriu.

“Não importa, a gente tem a praia inteira pra fazer outros”, foi o que você respondeu.

Até hoje eu não sei se você fez isso porque era divertido pra você, se foi ironia, se foi só maldade ou realmente passou na sua cabeça o arrependimento.

Arrumei minha trouxinha e fui disposta a não voltar. Me entregar ao vento, ao mar, ao tempo.

Só que você deu uma forma de estar por perto, e eu quase te odeio por ficar me persequindo pra machucar. Aí alguém me disse que eu não podia te odiar, porque a única relação mais fiel do que o amor é o ódio.

Então voltei atrás, ver como estavam as coisas.

Eu sei que existem zilhões de grãos de areia. Mas dói pra caramba ver sendo levado embora aquilo que um dia foi nossa morada, nosso castelo, nossa vida.

O coração se aperta muito vendo o mar tomar a representação do nosso meu amor.

A água tá lavando, tá levando, até o dia em que vou poder caminhar de novo pela praia sem te imaginar ao meu lado. Porque a visão de nós duas de costa, sorrisos, camisas largas e sem usar calças, me faz tremer, de nostalgia e de medo.

Eu tô deixando levar, tô olhando pra frente mesmo mantendo os pés parados.

É só que agora, eu olho para a praia e não vejo areias tão douradas quanto aquelas.

 

Thiago B.

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