O Estudo da Matéria dos Corações: Um comunicado.

O coração de cada um é feito de uma matéria única e inigualável. Pouca gente sabe disso. É um daqueles mistérios de vida que as maioria das pessoas desconhece.

Sou especialista na matéria dos corações. Os meus preferidos são os de vidro. Coloridos, cortantes e frágeis. Têm a tendência do recorrente medo do receio. São lindos. Construídos pela natureza e o tempo a partir da areia.

Meu trabalho é catalogar os corações. Não posso misturar o profissional com o pessoal. É um trabalho difícil, eu sei. Venho aqui por que preciso contar o que aconteceu comigo há pouco.

Era um dia tranquilo de trabalho, com alguns corações no conserto e uma fila enorme deles para eu catalogar. Foi aí que eu percebi um material diferente que eu nunca tinha visto antes. Segurava em minhas mãos um coração feito de porcelana pintada a mão. Era lindo. Todo decorado, com linhas finas que formavam um desenho abstrato de grande valor sentimental. Valor sentimental pra quem? Pra mim que não poderia ser.

A dúvida surgiu: Não tinha aonde catalogá-lo. E  outra pergunta ainda mais preocupante: por que aquele coração fazia o meu bater tão descompassadamente? Na minha mão já passaram corações de vários tamanhos, formas, pesos, presenças e sentidos. E eu não havia sentido esse calor gélido na boca do estômago. Eu não sentido o sentido palavras.

Fui a trás da dona do estranho artefato. Eu não havia previsto que sem aquele coração mais frágil que o vento, ela estaria mais debilitada  do que um gato que levou pedradas.

Aproximei-me devagar daquela mulher sem coração. Percebi no seu olhar que eu não poderia, nunca, em hipótese alguma, manter aquele coração comigo.

Nunca havia acontecido antes um caso assim. O normal era as pessoas andarem sem a simples bomba de sangue. Descobri que não sabia tudo sobre esse estranho órgão.

É preciso alertar a todos que tem um coração de porcelana. Cuidado se seu coração quebra mais do que copo de cozinha.

Quanto a mim, continuo aqui. Com um coração peludo. Sabendo que aquela porcelana abri-me o ventrículo e  colocou um pouco de água onde antes só havia borra de café passado.

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