Arquivo mensal: dezembro 2011

no meio do caminho

Não posso dizer que era uma pedra feliz. Afinal, era uma pedra. Cumpria bem seu papel na natureza. Não era dessas pedras que vivem no sapato dos outros. Vocês podem não acreditar, mas pedras, rochas e pedregulhos têm seus próprios problemas . Um deles é que você nunca sabe aonde começa e aonde termina. É uma existência muita complexa, essa de ser pedra. Não se percebe o individualismo até estar totalmente desconecto do todo. Quando se vê, você é um bloco de mármore (mas ainda sim uma pedra) em algum lugar e sem saber como foi parar lá. A pedra; antes não-feliz, mas com existencialismo incompleto satisfatório; se sentia desnorteada, embora não soubesse o que fosse isso. Ela queria correr, tamanho o desespero. Ora, mas era uma pedra. Nunca havia lhe ocorrido a ideia de correr. Tentou se acalmar, o que também era um sentimento novo, e a deixou nervosa. O despejo de novos sentimentos a trouxe confusão. Nada usual para uma pedra. Decidiu ficar parada, imóvel. Ficaria estática, tão estática como uma pedra. E foi assim, nesse caos emocional, que aos poucos foi sendo esculpida. Cada pedaço arrancado de sua, agora conhecida, existência resultava em uma nova leva de devaneios sentimentais. Quando pronta, a obra alcançou sucesso imediato. Por um tempo, a pedra ficou orgulhosa de si. Rodin e seu “O Beijo” eram a sensação. Ou melhor, Rodin era a sensação. Em mais um uma crise existencial, a pedra percebeu que continuava sendo pedra. Agora era “O Beijo”, mas ainda era pedra. Ela não fizera nada além de ficar parada enquanto Rodin esculpia. Representava duas pessoas, suas formas eram delicadas e consideradas de um erotismo indecente. Era melhor quando era só uma pedra mesmo e não estava imortalizada como um beijo em movimento não finalizado. Era bem melhor quando não tinha noção de sua existência. Pensar não era difícil, mas na falta de explicações sobre a vida, o universo e tudo mais, absolutamente nada fazia sentido e ela estava começando a considerar se tudo não era fruto de sua imaginação. Ironia seria se tivesse sido esculpida como “O Pensador” e no mínimo, há sentido na ironia. Além do mais, com seu gênio forte, a pedra imaginou que “O Pensador” não pensado, já que era feito de bronze. Bronze não pensava, ponto final. Como ela havia chegado a essa conclusão, entretanto, eu não saberia dizer. A pedra, esculpida em “O Beijo”, já não mais era única e haviam réplicas em vários museus. Mas de uma coisa ela tinha certeza. Com o passar do tempo, o vento a iria esculpir mais uma vez, desmanchá-la, iria ser pó. E quem sabe assim, já não teria mais uma consciência para perturbá-la.

Eu não estou com o controle remoto.

A humanidade se acostumou a contar o tempo em anos.E o mundo Ocidental acha relevante celebrar a virada de ano. Eu não acho. Pra mim, o tempo sequer é linear. Eu recorto pedaços dele e monto de forma que aqueles momentos que mais gosto fiquem sempre por perto, assim posso voltar neles quando quero. Os que não gosto, ficam meio escondidos, mas não se esquecem, graças a minha boa memória. Eu não comemoro ano-novo. Eu não faço resoluções de ano-novo. Eu não faço balanço de um ano qualquer. Mas aproveitando esse falso clima de renovação, eu gostaria de falar algumas coisas. Não cito o nome de ninguém, mas você vai entender se eu me referir a você.

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Sem título disponível.

Quando algo não está dando certo, mudamos a estratégia. Depois de tanto recorrer às palavras, decidi recorrer ao silêncio. Achei que tudo que havia pra ser dito, já estava mastigado, engolido e processado. Sim, pensei que silêncio tinha algo haver com tempo.

E mesmo separados, nossos caminhos continuaram se cruzando. Eu te vi de longe e soube que lá dentro de você, em algum lugar, eu havia chegado mais fundo que qualquer um. Eu estaza sozinho naquele banco de concreto, orgulhoso de mim mesmo. Decidido que apesar de todo pesar, você era uma lembrança boa da qual eu me orgulhava.

Mas você nunca foi muito calado e suas palavras jogadas ao vento sempre me atingiam com força no rosto. E mesmo assim eu mantive o silêncio. Nossas brigas indiretas não iam levar a  nada, como sempre. Toquei minha vida pra frente. Você continuava falando, se era comigo ou não, eu não sei. Em vez de levar pro lado pessoal, deixei essas coisas de lado e minha vida levei pra frente.

Inesperadamente você pega num ponto muito delicado. Fala coisas que dessa vez eu não deixei passar. Jogo todo meu esforço pro lado e começo a ver só o lado ruim de toda situação. Tive raiva e essa raiva me consumia por dentro. Você se enfiava em qualquer buraco e estava em todo lugar. Só podia ser sacanagem com a minha cara.

Então eu comecei a rir, rir exageradamente de qualquer, assim quem sabe, podia curar minhas feridas. Comecei a errar de propósito também. Quem sabe se machucando mais eu ia me poupar?

Foi quando percebi que não passamos de crianças brincando no parquinho. Um empurrando o outro pra ver quem ia brincar no balanço.

Eu sou só um menino bobo, você é outro menino bobo, vivendo num bobo mundo; com tantos bilhões de pessoas é impossível andar sem machucar alguém. É impossível.

A culpa não é de ninguém. cada um só está tentando fazer o que lhe satisfaz. Isso ás vezes atropela umas pessoas e agracia outras. Simples fato logístico.

Nesse planeta solitário e patético, não faz sentido dar bola para nossos erros tão pequenos. Nos machucamos com espinhos, é verdade. Mas nos fizemos bem, também.

De vez em quando, eu vejo que o que eu mais quero é voltar atrás e dizer que te quero de volta, que nada daquilo importa mais e eu estou disposto a fazer o que for preciso pra que tudo volte a ser como antes.

Nosso término com falta de comunicação leva a mal-entendidos que me fazem achar que você foi apenas um idiota. E é nessas hora que eu queria nunca ter terminado mesmo.

Mas não tem como. Nós mudamos e falhamos e vencemos e rimos e brigamos e está tudo bem. É normal. Quer dizer que a gente está vivo. Não há conforto maior que isso.

Fomos infantis. Mas já que fim esses caminhos vão continuar nos levando a coisas boas e ruins, me resta aproveitar e brincar. De cabra-cega, de pique-pega. De médico.

E se eu dia eu crescer e começar a me importar com os números, bom, nesse dia não terei só esquecido de você. Terei esquecido de quem sou. Isso sim seria uma pena.

Boa sorte no seu caminho.