ela

Era tarde. Será que era tarde demais? Tentei não pensar no certo e errado. Independente da hora, eu iria te ligar.

Mal cheguei a discar teu número e já desisti da ideia. Não foi por medo de te acordar ou de ser inconveniente, foi que eu entendi, menina, que não queria ouvir tua voz.

O que eu queria, menina, o que eu queria era teu silêncio. Os olhos de vergonha que ficam nervosos ao se encontrarem com os meus lascivos. O teu cabelo enroscado no braço meu. A foto mental que tirei de ti à meia-luz.

Ligar-te era me contentar com o som da tua voz, eu quis mais, menina. Eu estava no escuro e quis que você fizesse parte da escuridão comigo. Andando pelas ruas, minha vontade era de te fazer presente por todo lado, para que cada esquina tivesse teu cheiro.

Não sei como, mas as nuvens tinham a cor dos teus cabelos. O céu encoberto eram minhas pupilas, tentando enxergar você me dizer que ninguém no mundo podia conhecer ninguém e a gente era unido pela solidão.

Ah, menina. Tanto quis teu silêncio.

Fiquei com tua ausência.

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